Figuras Vareiras - Américo Oliveira
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Américo da Silva Oliveira |
Américo da Silva Oliveira é uma figura fascinante. Primeiro porque de todas as suas palavras transborda o amor que tem por Ovar – não precisa de o dizer, a paixão sente-se ao virar de cada frase. Depois porque é um homem de bem com a vida, que resolveu aquilo que o incomodou no seu devido tempo e que não tem, por isso, feridas por sarar. Diz que a vida foi boa para ele. Talvez porque ele foi e continua a ser bom para a vida, avançamos nós.
Nasceu em Guilhovai (S. João), no dia 13 de Janeiro de 1942, mas ainda jovem veio viver para Ovar e por cá ficou. O pai, a sua referência masculina, emigrou para o Brasil em busca de uma vida melhor. Por cá ficou a mãe, a avó e o avô, um homem austero que não compreendia a importância dos estudos nem o empenho do jovem Américo quando, de bicicleta, “voava” de casa para o Colégio Júlio Dinis. Cedo arranjou emprego no F. Ramada e ali se manteve até se reformar.
Aos 22 anos casou com Maria Helena Ribeiro, a companheira de todas as horas. “Daqui a cinco anos fazemos as Bodas de Ouro!”, diz Américo Oliveira, com satisfação. É também com um orgulho imenso que fala dos seus dois filhos, do neto e da neta que, afirma, “são a luz da minha vida”.
Não sabe explicar como nasceu o seu gosto pelo associativismo mas compreende-se que deve ter brotado de uma enorme generosidade e sentido cívico. Passou pela Associação Desportiva Ovarense, em particular pelas suas secções de futebol, ciclismo, andebol e basquetebol. “Nesta modalidade sou fundador da equipa que nos levou à I Divisão, com o sr. João Gonçalves e o António da Vareirinha”, recorda. Esteve ligado à equipa de andebol do Grupo Atlético Vareiro e fez parte da Comissão do Carnaval de Ovar durante vários anos, para além de ter desfilado no grupo Condores. Mas diz o povo e com razão que “não há amor como o primeiro” e o Orfeão de Ovar continua, volvidos mais de 50 anos, a ocupar um lugar de eleição. Entrou para o Coral do Orfeão com apenas 13 anos, cantou e actuou em inúmeras revistas e operetas encenadas pela instituição e integrou várias direcções, durante mais de 25 anos. É referência inevitável na Trupe de Reis e já aqui ocupou, por vários anos, o lugar de solista.
Acompanhou a construção da actual sede do Orfeão de Ovar, situada no centro da cidade. “Sinto um orgulho enorme por ver como esta casa cresceu. A nossa sede era na Escola dos Combatentes, depois passamos para o Teatro Ovarense e aí nos mantivemos até à compra desta casa. Hoje este é o maior pólo de cultura do concelho de Ovar. Entre a Academia de Musica, o Grupo Coral, a Trupe, a Escola de Ballet e a Dança Contemporânea, são cerca de 500 as pessoas que se movimentam aqui”, diz com satisfação.
Também passou pela política activa, tendo sido vogal, tesoureiro, secretário e presidente da Junta de Ovar. “Dediquei-me muito à Junta como me dedico a tudo. Acabámos por perder no final do primeiro mandato e achei injusta a avaliação que as pessoas fizeram do nosso trabalho. Por isso decidi que nunca mais faria parte de lista nenhuma. A política, para mim, acabou”.
Em tempo de Natal, deixa dois pedidos especiais: aos jovens, para que ingressem no Grupo Coral do Orfeão de Ovar; ao poder autárquico, para que olhe mais para as coisas da Terra e que as promova. O Cantar dos Reis pode ser um bom começo.
Previsão do Tempo - 19/05/2012
Cidade: Ovar, Aveiro
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